
A crise envolvendo a não liberação do Estádio Lomanto Júnior ganhou novos capítulos após entrevista do presidente do ECPP Vitória da Conquista, Ederlane Amorim, ao programa Fala Conquista, da Rádio Câmara. Em conversa com os jornalistas Samara Dias e Guilherme Barbosa, o dirigente detalhou os impactos da ausência dos laudos obrigatórios e fez duras críticas à falta de apoio do poder público municipal, classificando o momento como o mais difícil da história do clube.
Logo no início da entrevista, Ederlane confirmou que o time terá que mandar o jogo do dia 9 de maio, contra o Leônico, em Jequié, no Estádio Waldomiro Borges, devido à não liberação do Lomantão. A decisão, segundo ele, foi comunicada pela Federação Bahiana de Futebol após o esgotamento do prazo para entrega dos documentos exigidos. “As dificuldades são muito grandes. Eu posso afirmar, de forma categórica, que é o pior ano da história do clube, a nível de tudo, nível financeiro, nível de investimento”, declarou.
O presidente explicou que a liberação do estádio depende da apresentação de quatro laudos obrigatórios — Corpo de Bombeiros, Vigilância Sanitária, Engenharia e Polícia Militar — e que a responsabilidade pela emissão dos documentos é da Prefeitura, já que o equipamento é municipal. “O estádio é municipal, nós não temos ingerência nenhuma. Todo ano é a mesma dificuldade, sempre o mesmo cenário”, afirmou. Segundo ele, o prazo para entrega dos laudos se encerrou ainda em março, sem que toda a documentação fosse apresentada. “Estamos falando de quase 45 dias. E a Federação esperou, foi flexível, mas acabou aplicando o rigor da lei”, disse.
Ederlane ressaltou que a perda do mando de campo representa um prejuízo significativo em diversas frentes. “Vai acarretar um prejuízo enorme, tanto financeiro, técnico, psicológico. Isso abala muito a estrutura do clube”, pontuou. Ele também destacou o impacto direto na torcida e na cidade: “Você tira o lazer da população, tira a possibilidade de renda da instituição e transforma o jogo praticamente em campo neutro”.
O dirigente também levantou questionamentos sobre os impactos de eventos realizados no estádio, como shows, na condição da estrutura. “Teve a questão do espetáculo que deve, com certeza, ter danificado a estrutura, que já não é boa”, afirmou, ressaltando que o clube não tem acesso direto às intervenções realizadas no equipamento.
Além da questão estrutural, Ederlane foi enfático ao criticar a ausência de investimentos por parte da Prefeitura e o que classificou como abandono institucional. “A gente está se sentindo totalmente órfão, desamparado. Se não fosse a iniciativa privada, o time já teria acabado”, disse. Ele revelou ainda que, em 2026, o clube não recebeu qualquer tipo de apoio financeiro do município. “Esse ano a gente não está recebendo apoio nenhum municipal. Um centavo para disputar a competição”, afirmou.
O presidente destacou que o rebaixamento agravou a situação financeira, reduzindo receitas e dificultando a montagem do elenco. “Perdemos muita receita. Hoje a gente não consegue nem formar um elenco competitivo. Estamos utilizando praticamente jogadores da base, um elenco quase 100% doméstico”, explicou.
Diante das limitações, o Bode entra na competição com um grupo enxuto e formado majoritariamente por atletas da cidade, sob o comando do técnico André Borges. “Ele fez um campeonato muito bom no sub-20, tem feito um grande trabalho e acreditamos muito no futuro dele”, afirmou.
Mesmo com dificuldades financeiras e estruturais, o dirigente garantiu que o clube seguirá na disputa. “A gente está tentando segurar, nem que seja com o braço, com a mão ou até com o dedinho, essa corda que ainda nos sustenta”, disse. Ele também comparou a realidade do ECPP com a de outros clubes da Série B, que contam com maior capacidade de investimento. “Estamos enfrentando times com poder de investimento muito maior. A diferença é muito grande”, avaliou.
Em tom de desabafo, Ederlane classificou a situação como resultado de negligência e alertou para os riscos ao futuro da instituição. “A gente está falando da possibilidade de jogar fora da nossa cidade por uma negligência, de não cumprir o básico, que é dar condição para um jogo de futebol profissional. O time está descendo a ladeira”, afirmou.
Para ele, sem uma mobilização conjunta, o cenário pode se agravar ainda mais. “Se não houver uma junção de todos os segmentos da cidade, eu temo pelo futuro do clube”, alertou. Apesar do cenário adverso, o presidente afirmou que o clube segue apoiado na fé para enfrentar o momento. “Se for para subir jogando em Jequié, nós vamos subir jogando em Jequié. A nossa esperança está em Deus”, declarou.
Enquanto aguarda uma possível reavaliação da situação do estádio, o ECPP se prepara para estrear no dia 2 de maio, fora de casa, contra o Feira de Santana, iniciando sua trajetória na Série B em meio a uma das maiores crises de sua história recente.
