INDIGNAÇÃO | Julgamento do acusado pelo feminicídio de Sashira é marcado para 10 de fevereiro em Feira de Santana

Quase cinco anos depois de um dos crimes mais brutais e revoltantes já registrados em Vitória da Conquista, o caso Sashira finalmente caminha para um possível desfecho. De acordo com informações obtidas com exclusividade pelo Blog do Sena, nesta quinta-feira (22), o julgamento de Rafael de Souza Lima, apontado pela Polícia Civil como o mentor e principal acusado do assassinato da jovem Sashira Camilly Cunha Silva, está oficialmente marcado para o dia 10 de fevereiro de 2026, às 8 horas da manhã.

A sessão do júri popular será realizada na cidade de Feira de Santana, a cerca de 404 quilômetros de Vitória da Conquista, decisão que reacendeu a dor, a revolta e a indignação da família.

O crime, ocorrido em 2021, abalou profundamente Vitória da Conquista, teve repercussão em toda a Bahia e ganhou dimensão nacional. Sashira tinha apenas 19 anos, era estudante, cheia de sonhos e teve a vida interrompida de forma cruel em um caso marcado por premeditação, violência e extrema frieza. Segundo as investigações, a jovem foi atraída pelo ex-namorado e assassinada co requintes de crueldade. O corpo foi abandonado em um terreno baldio na zona rural de Planalto, cidade a cerca de 50 quilômetros de Conquista, e só foi encontrado dias depois, já em estado de decomposição.

À época, a brutalidade do crime causou comoção coletiva. Familiares e amigos passaram a conviver não apenas com o luto, mas com a sensação permanente de que a tragédia poderia ter sido evitada. Sashira é lembrada como uma jovem alegre, inteligente, cheia de planos e muito querida por todos que a conheciam.

Desde então, o processo se arrastou por anos entre audiências, recursos e entraves jurídicos. Para a família, cada adiamento representou uma nova ferida aberta. Agora, com a confirmação da data do júri popular, surge uma mistura de esperança e revolta. Esperança por, finalmente, ver o principal acusado diante dos jurados. Revolta porque o julgamento não acontecerá em Vitória da Conquista, cidade onde Sashira viveu, estudou e foi assassinada.

A transferência do julgamento para Feira de Santana ocorreu por meio de um procedimento chamado “desaforamento”. Prevista no Código de Processo Penal, a medida permite o deslocamento do julgamento de um crime de uma comarca para outra “nas hipóteses de interesse da ordem pública, dúvida sobre a imparcialidade do júri, falta de segurança pessoal do acusado ou serviço que impeça o julgamento no prazo de seis meses”. No caso Sashira, o pedido foi aceito sob o argumento de que a grande repercussão do crime em Vitória da Conquista poderia comprometer a imparcialidade dos jurados.

A decisão, no entanto, foi recebida com profunda indignação pela família, que considera injusto ter que percorrer mais de 400 quilômetros para acompanhar um julgamento que, para eles, deveria acontecer na própria comarca onde tudo ocorreu.

Mesmo diante da distância e da dor que ainda acompanha a família, a expectativa é de que familiares, amigos e apoiadores de Sashira sigam em peso para Feira de Santana no dia 10 de fevereiro para acompanhar o julgamento de Rafael de Souza Lima. A mobilização pretende não apenas cobrar Justiça por Sashira, mas também transformar o júri em um símbolo de enfrentamento à violência contra a mulher. Quase cinco anos depois, o caso segue como um lembrete cruel de que o feminicídio continua ceifando vidas, sonhos e futuros. Para quem ficou, resta a esperança de que o julgamento represente, ao menos, uma resposta firme do Estado diante de um crime que marcou para sempre uma família e toda uma cidade. | com informações do Blog de Sena.

Comentários